domingo, 7 de maio de 2017

E as perguntas enfim surgiram!

Em dois dias dessa semana que se passou fiz uma rodinha no chão com meus alunos e espalhei no meio vários livros de literatura infantil para que eles manuseassem a vontade, fiquei os observando.
O momento dessa rodinha para que eles explorassem os livros foi muito prazeroso para as crianças e para mim, que consegui observar e perceber o quanto minha turminha gosta dos livros e de suas histórias.
Alguns manuseiam e exploram com bastante atenção, folhando os livros com cuidado e interesse,  já outros olham rapidamente, tentando achar um meio de brincar com os livros, muitas vezes sentando em cima, colocando na cabeça ou até mesmo tentando fazer dos livros um outro objeto de brincar, mas mesmo com essa diferença entre eles na hora de manusear os livros, no momento da contação de história todos ficam atento no que estou lendo.
Aos poucos algumas perguntas começaram a surgir, vindas das crianças maiores, aquelas que já conseguem se comunicar com maior facilidade e clareza:
- Prof. esse é o lobo mau?
- Esse livro é do lobo mau?
- Aqui tem uma bruxa?
- O lobo vai pegar ela?
- A touca dela é azul?
- O que é isso nessa casinha? ( Casinha da história do João e Maria)
- Prof. o lobo é brabo?
- Porque tem bolinhas na camisa dele?
- A menininha não tem medo do lobo?
 Com essa atividade e com o brilho no olhar que cada criança tinha ao disparar de cada pergunta percebi o quanto minha turminha tem interesse em mergulhar no mundo do faz de conta dos livros de literatura infantil.
O centro de interesse de minha turma está voltado para as histórias e  seus personagens, e como uma das crianças demonstrou bastante interesse, perguntando sobre os personagens da " Chapéuzinho vermelho", vamos dar início as atividades com esse conto, por isso vou chamar esse projeto/e ou centro de interesse de:

" Maternal I, mergulhando no mundo do faz de conta"


 JARDIM 2E E O TEMPO...  

Por Camila Coitinho

Já faz algum tempo que trabalho com os meus alunos através de projetos, observando justamente estas perguntas que eles fazem, e é maravilhoso quando conseguimos transformar estas perguntas em trabalho! Fico só imaginando Lu, teus pitoquinhos interessadíssimos no lobo mau! E com os menores, muitas vezes  a riqueza do trabalho está nestes momentos que eles tanto gostam!
Pois na minha turma não foi diferente... Todos os dias eles chegam, tomam café e até umas 9h40min eles brincam, livremente, pois é o momento que eu consigo me organizar para o dia que está se iniciando e ainda, além das agendas e caderno de chamada, preencher um caderninho com algumas anotações que faço individualmente, observando as reações de cada criança e ainda relatar alguma coisa que ocorreu no dia anterior. E quando é quinze para as dez, iniciamos a organização da sala, e mostro no relógio quando o ponteiro grande estiver no 10, é hora de ir para o pátio! Isso já acontece a bastante tempo. E um dia na rodinha um deles me perguntou: Prof, como se mede o tempo? Achei quilo fantástico, quase que filosófico, pois vários olhinhos brilharam com a pergunta! Então respondi: Vamos pesquisar... Mas o que exatamente nós vamos pesquisar:
·         Como se mede o tempo?
·         Vamos fazer uma máquina do tempo?
·         Qual é o nome daquele negócio que tem um pozinho??? (ampulheta)
·         Ah, mas o tempo é quando a gente vai ficando velho...
·         Né, que também tem aquele tempo que chove, fica nublado e faz sol?
Neste momento o olho que brilhou foi o meu... Pois via que dava para fazer um projeto incrível, mas que me daria bastante trabalho também...
Num outro dia, pedi para que eles se dividissem em grupos, e ofereci uma cartolina e material de pintar, pedi, para que antes que começassem a desenhar, tinham que conversar no grupo, sobre o que era o tempo, e o que mais eles gostariam de pesquisar, e me afastei das mesinhas, para observar eles “discutindo”, depois de uns 5 minutos fui passando de mesa em mesa para ajudar ou não dependendo de como estivesse a conversa! E em um destes momentos de afastamento, percebi que estávamos montando um quadro de certezas e dúvidas, que ali naqueles pequenos grupos de crianças de 5 anos, eu estava vendo o PPA ao vivo, eu fiquei realmente empolgada e orgulhosa dos meus pequenos!!!! E em algumas leituras que venho fazendo, encontrei uma citação:

“[...]ensinar os alunos a resolver problemas supõe dotá-los da capacidade de aprender a aprender, no sentido de habituá-los a encontrar por si mesmos respostas às perguntas que os inquietam ou que precisam responder, ao invés de esperar uma resposta já elaborada por outros [...] 
(POZO; ECHEVERRÍA, 1988, p. 09).







            ECHEVERRÍA, M. D. P. A solução de problemas em matemática. In: POZO, J. I. (org.)
              A solução de problemas: aprender a resolver, resolver para aprender. Porto Alegre: ArtMed,                1998, p. 44-65.
        
Projeto em Ação
Daniela Ramalho
Queridas colegas ao ler as postagens de vocês fiquei encantada ao perceber a importância deste trabalho, tão cheio de dúvidas em relação a sua elaboração, mas tão significativo na sua realização, ao ler pude perceber claramente que o objetivo das professoras da interdisciplina está sendo alcançado, pois em nossos encontros conversamos, discutimos, lemos desta forma   tentamos achar estratégias para encontrar a melhor forma de  realizar os projetos em turmas tão distintas, assim conseguimos articular estratégias para usar com nossas turmas,  estes encontros de troca estão sendo fundamentais para nosso trabalho. No último encontro acredito que juntas conseguimos achar uma forma de levar o projeto na turma da Lu, pois são alunos muito pequenos diferentes da minha turma e da Camila que estão no jardim e conseguem trabalhar com mais autonomia. Os livros de história encantam crianças de todas as idades como disse Rubem Alves "um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar", mas os pequenos  muitas vezes  não tem o prazer de os manusear, por vários motivos:  vão rasgar, estragar e etc. Ao proporcionar esta experiência para sua turma a Lu conseguiu enxergar seu Projeto em ação e tenho certeza que assim como o olho da Camila o seu também brilhou.  É muito bom ver a alegria e o envolvimento das minhas colegas com a realização deste projeto, pois assim como eu acreditam que para educar é fundamental criar vínculo com o aluno.


Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do  saber deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos. (Rubem Alves)



Assim como nas turmas das minhas colegas elas surgem a todo momento no jardim II da EMEI Vó Maria Aldina. Perguntas e mais perguntas...
Em um Projeto de Aprendizagem as perguntas são fundamentais, mas o olhar atento do professor para identifica-las e através delas envolver seus alunos lembrando sempre que o conhecimento começa pela pergunta: “No ensino esqueceram-se das perguntas, tanto o professor como o aluno esqueceram-nas, e no meu entender todo conhecimento começa pela pergunta. Começa pelo que você, Paulo, chama de curiosidade. Mas a curiosidade é uma pergunta!” (Freire, Fundez, 1985). A criança na escola de educação infantil tem a possibilidade de ter sua curiosidade aguçada, estimulada e  com isto muitas perguntas surgem e através de algumas destas perguntas escolhemos o tema do nosso PA deste ano, perguntas como:
A terra é o telhado das minhocas?
Tem terra em todos os lugares?
As pedras são terra dura?
A água é boa?
A água faz bem para os seres vivos?
A chuva é água suja?
A água vem dos canos?
Se a gente não tem água morre?
O fogo é mal?
Criança pode brincar com fogo?
O fogo machuca?
O vento é mais forte que o fogo?
Na boca tem ar?
Em todo lugar tem ar?
Na água tem ar?
Muita curiosidade assim é esta turma, falante e curiosa sempre querendo saber mais e mais. Em uma manhã na praça ao observa-los brincando percebi que havia algo diferente e logo vi um por um iam até o bebedor buscar água com a boca para jogar na terra e fazer barro, fiquei ao longe observando e vendo a alegria deles naquela “arte” de criança, neste momento tive a certeza do tema do nosso projeto, pois a terra, a água, o ar e o fogo encantam não só crianças, mas pessoas de todas as idades e assim começaram nossas descobertas á partir de uma “arte” de criança.
ByDaniela Ramalho






Um comentário:

  1. grupo metamorfose...estou adorando ver como os projetos começaram a aparecer...e também de forma suave e quase tímida a interação entre vocês! não desistam! sei que dá trabalho, mas vocês estão conseguindo...voltem, leiam as postagem das colegas e mostrem que podemos dialogar mesmo com pouco tempo e uma jornada de trabalho que as vezes nos rouba a sanidade....vamos continuar que vocês estão conseguindo dar conta com qualidade das metas 1 e 2 ...bravo!

    ResponderExcluir

Reflexões e Vivências Daniela ramalho

A interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação gerou muito movimento com a proposta de trabalho em grupo e com os projetos em nossas salas...